O tempo estava nublado. Meu celular estava tocando desesperadamente há alguns minutos e eu tentava tomar coragem para olhar quem me ligava tão cedo. Era ele. Dentre todas as pessoas na face da terra ele escolheu ligar logo para mim no primeiro dia de férias. Não pude acreditar, pulei na cama. Fixei os olhos no celular por um tempo, queria certificar-me de que aquilo era mesmo verdade. Porém não o atendi, deixei tocar.. E então lhe respondi com uma mensagem mal-humorada, não podia ceder tão fácil assim. “O que foi?” escrevi apenas isto e enviei. Fiquei parada esperando o celular avisar que ele me respondeu e nada.. Ele devia ter achado outra garota que o atendesse tão cedo. Confesso que me senti mal por tê-lo deixado esperando, porém, fiquei feliz por não ter agido como uma criança.
Resolvi me levantar e liguei o computador. Foi aí que tudo fez sentido. Ontem havia sido o aniversário dele e eu não fui. Isso mesmo foi aniversário do Pietro Sousa e eu não fui. Eu sou uma imbecil mesmo. Pensei logo no que fazer, era claro que feliz não era um adjetivo para ele naquele momento, por isso ele me ligou. Fui tomar um banho para poder pensar em algo que pudesse redimir a falta logo no dia da festa de dezoito anos dele. Peguei-me pensando no que poderia ter rolado ontem a noite, no que eu poderia ter dito, quem sabe revelar meu amor platônico por ele desde o jardim de infância teria sido uma boa idéia, afinal, já estava mais do que na hora.. Ficar nesse papo de melhores amigos para sempre não dá. Desajeitada do jeito que sou, era bem capaz de eu falar ‘Ei, eu gosto de ti desde o jardim’ e depois sair correndo. Talvez tenha sido melhor eu não ter ido à essa festa. Saí do banho e fui ligar para ele, tive a idéia de dizer que eu queria comemorar de uma forma privada com ele. O telefone chamou, chamou, até que eu ouvi aquela voz meio rouca que falava:
“- Alo?” Fiquei estática. Não sabia o que fazer.
“-Alo Luana? Já não basta você não ter vindo a minha festa ontem, agora vai me ligar e não dizer nada?”
“-O..oi Pietro” Gaguejava como nunca “Ouça, me desculpe por ontem.. eu tenho uma explicação plausível para isso.”
“É melhor ter mesmo, pois nem um recado você foi capaz de deixar.”
“Eu tenho algo melhor para fazermos hoje. Afinal, estamos de férias. Eu vou te levar para passear hoje, te levar onde nunca levei ninguém.” Estava certa de que esse era o pior erro da minha vida, levar ele no meu canto, onde eu achava a minha paz, mas eu teria que levar ele a algum lugar mesmo e lá era o lugar perfeito.
“É, isso parece interessante. Passo na sua casa com meu novo carro as duas, tá bom para você?”
“É claro, até lá.” Desliguei o telefone e comecei a pensar no que fazer, eu iria levá-lo até a minha linha do horizonte, até onde eu meditava.
Parei de pensar nisso, ia acabar ficando louca, fui arrumar algumas coisas para poder levar. E então de repente, já eram duas horas e ele estava lá, na porta da minha casa me esperando.