O dia estava ótimo para passear, não estava frio, nem calor. Aproveitei para botar um vestido que havia comprado há muito tempo. Confesso que não estava com meu mais bom humor, porém eu poderia fazer esse esforço por Pietro. Peguei minha bolsa e botei tudo que eu iria precisar: Celular, carteira, maquiagens e afins. Nada poderia dar errado hoje. Como eu sempre gostei de tirar várias fotos, botei minha câmera à mão. Entretanto eu estava sentindo que eu não estava fazendo o certo.. levar Pietro ao local onde é somente meu? É estranho pensar nisso, aquela casa estava desabitada há tanto tempo e eu estava reconstruindo aos poucos.. Mas era o mínimo que eu poderia fazer. Como era ele quem estava dirigindo, deixei minha velha lambreta descansar por hoje. A campainha tocou, era ele.
- Mãe, to saindo.
- Ok filha, venha antes do jantar.
“Ok filha venha antes do jantar?” Onde ela estava com a cabeça que nem sequer perguntou aonde eu ia? Bom, não há tempo para eu ficar pensando na minha mãe, ele está lá embaixo. Saí correndo, peguei o elevador e quando a porta abre quem estava lá? Não, infelizmente não era Pietro. Era Flávio. Fiquei fazendo cálculos de cabeça se deveria falar com meu ex-namorado e até mais, saber o que ele estava fazendo no meu prédio. Só que resolvi permanecer calada, porque o conhecendo como eu conheço, ele iria fazer isso, sem nem precisar falar comigo. Dito e feito, ele pegou seu celular e começou a fingir que estava falando nele.
- “Oi Martha, eu também gostei da tarde de hoje.. espero que ela se repita. Eu sei que faz tempo que não fico com ninguém, desde que terminei com Luana, mas ela já deve estar com outro. Eu sei, ela não me merece. Ei meu amor, eu vou ter que ir, estou no elevador e você deve imaginar que tem algo me incomodando. Ok, beijos”
Martha? Ele acabou de terminar comigo e está saindo com minha vizinha? Não pude acreditar, eu não gosto mais dele, mas logo Martha? Ela é uma qualquer, uma desquitada. Fiquei possessa de raiva, confesso. Mas me mantive com a expressão serena e com foco no meu dia com Pietro. Assim que a porta do elevador saiu, Flavio ficou olhando com uma expressão de: Você não vai nem me olhar? Sai e fui ao encontro de Pietro, ele estava parado na frente do carro, encostado. Não entendo muito de carros, mas ele era prata. Combinava com o sol que estava batendo naqueles olhos verdes.
“- Oi, Pietro.
-Olá Dona Luana. Posso saber o que foi mais importante que minha festa ontem?”
Aquele sorriso, aquele jeito de falar.. Estava tudo tão perfeito, eu estava me sentindo vermelha, só de pensar em tantas coisas que ele poderia estar pensando de mim. Mas sou durona, todos sabem. Falei sem nem pensar.
“- Vamos primeiro entrar no carro, lá eu te explico o que aconteceu.”
Ele abriu a porta para mim, ele era um príncipe do século XXI. Senti-me uma princesa. Era estranho como eu posso mudar, por fora sempre fui durona e chata e aqui, bem dentro de mim, sou a pessoa mais sentimental da terra. É estranho, eu apenas não sei botar o que eu sinto pra fora. Acho que é pelo o que eu vivi durante toda minha infância. Meu pai morreu muito cedo, eu tinha apenas sete anos... eu tinha que ser forte para agüentar ver minha mãe chorar com a perda, tinha que ser forte por mim e por ela. Na minha adolescência eu tinha apenas Pietro para conversar, eu era apenas uma garota vulnerável e ele me ensinou a ser o que eu sou hoje. Até eu conhecer Flávio, esse menino foi a parte escura da minha vida, foi quando eu larguei os meus amigos, larguei minha mãe, deixei o mundo de lado para viver apenas do Flávio. E hoje em dia, não quero nem ouvir falar dele.
“- Flávio estava no elevador comigo.” Falei olhando fixamente para frente.
“- Eu vi. Você falou com ele?” Pietro perguntou de uma forma tão sutil enquanto ligava o carro, que parecia algo natural
“- Não, mas você sabe que ele é um idiota... fingiu estar no telefone só para me contar de uma forma indireta que está saindo com Martha, sabe aquela minha vizinha?
- Ah Luana, não fique chateada por qualquer bobeira. Para onde vamos?
- Vamos até a montanha abandonada.
- Oh, ninguém tem coragem de ir até aquele lugar
- Eu tenho. ”
Ele entendeu que ia acontecer alguma coisa. Eu estava submersa nos meus pensamentos, estava tão pensativa que não falei nada durante o caminho inteiro, eu apenas fechei meus olhos e esperei chegarmos até lá... eu não queria saber da festa, eu não queria saber quantas ele havia beijado na noite passada. Preferia pensar que eu era a única. Pietro sempre magoou os corações das meninas dessa cidade, não havia uma pessoa que não soubesse quem era ele. Eu me sentia bem em saber que eu era uma das poucas meninas que ele confiava isso fazia eu me sentir tão... Especial.