Platônico (Part IV cap I - Dezoito)

Nada que eu começo termina bem, isso já é típico. Ainda mais a minha terrível idéia de estar ali naquele lugar totalmente romântico com Pietro que foi meu primeiro amor, mas antes de tudo é meu melhor amigo. Ele então se virou para mim.


“– Sabe o que eu acho mais estranho?


– O que?” Fitei-o com meus grandes olhos cor de mel.


“– Nós, estarmos aqui nesse lugar tão lindo e misterioso e nem namorados somos. Isso é tão engraçado... Sabe, eu já imaginei milhares de vezes nós dois juntos, mas nunca tive coragem pra concretizar. Pra mim é algo totalmente surreal, eu e você juntos. Impossível.


– Impossível por quê? O que nos impede?” Eu sentia meu coração palpitar.


“– Ah Luana, muitas coisas nos impedem e você sabe disso até melhor que eu. Nossos pais são muito amigos e todos nos vêem como irmãos... você realmente faria isso?


– Claro que não Pietro, só estava averiguando se você me acha feia, bobo.”


Sorri e desconversei. Minha cabeça era um turbilhão de pensamentos, eu não sabia o que fazer... ele mesmo falou que ficaria comigo e eu deixei a chance escorrer pelos meus dedos. Eu sabia que não era o que o idiota do meu coração queria mas sim o que o meu consciente queria transparecer. Subimos então, de volta no seu carro, eu só queria ir embora dali. O clima frio deixava a casa mais sombria a cada hora que escurecia. Fechei meus olhos cansados por um segundo e quando abri já estávamos na porta da minha casa.


“ – Quer entrar? Minha mãe vai adorar ver você como já deve imaginar..


- Claro que sim Luana, mas não posso demorar.”


No exato momento em que a porta do elevador abriu, veio uma pessoa correndo atrás para que segurássemos a porta para ele, quando me deparo logo com quem? Flávio, novamente. Ele ficou nos olhando e então Pietro segurou minha mão. Segurou forte, tão forte que eu me sentia segura, amada e não queria sair dali nunca mais. Flávio então, não agüentando mais a agonia de ver essa cena exclama


“ – Eu sempre soube que vocês tinham um caso. Eu sempre soube! Eu nunca quis acreditar no que me diziam.. essa amizade de vocês sempre foi muito estranha.”


Eu fiquei sem reação, estática, olhando para ele e para Pietro sem saber o que fazer.