Platônico. (Part V cap I - Dezoito)

Nunca, nem em meus pensamentos mais remotos aquele momento passou pela minha cabeça. Eu não sabia como agir, só queria que o elevador andasse logo. Mas é uma incrível lei da física, não é mesmo? Quanto mais rápido desejamos que o tempo passe, mais ele demora. Teimosia é uma palavra que define o tempo. Pietro então, percebendo que eu estava estática tomou a frente da situação


“ – Vamos com calma, cara. Quem você pensa que é para agir desta forma?


– Ora Pietro, não se finja de inocente. Eu sou o namorado dela, vejo vocês dois nessa cena e você vem perguntar que eu penso que sou?


– Namorado dela? Você só pode estar viajando cara, seu relacionamento com Luana acabou já tem muito tempo. Não perturbe mais a minha garota se não você vai se ver comigo.”


E então a porta do elevador abriu. Eu logo exclamei “Salvo pelo gongo!” e saí rindo. Queria mostrar que estava bem... Mas Pietro sabia que não. Chegamos finalmente no meu apartamento, o silêncio tomava conta do lugar.


“– Mãe? Você está aí?” Não obtive sequer uma resposta. E agora? Estávamos nós dois ali, sozinhos no meu apartamento, eu e Pietro depois de um longo e cansativo dia.


“– Vou ligar para ela vir pra casa.


– Não, ligue e pergunte onde ela está, mas não a mande vir para casa... Ela tem que se divertir um pouco. ”


Liguei. Ela não ia dormir em casa. A-há destino, você só pode estar brincando comigo. Ela disse que se Pietro pudesse era pra ele dormir lá comigo. Eu não sabia como dizer isso para ele. “Ah Pietro, dorme aqui hoje comigo, não basta o dia incrível que tivemos, vamos continuar tendo a noite inteira juntos.” Claro Luana, claro. Mas algo eu teria que fazer. Com um sorriso meia-boca falei baixinho


“– Ela.. Ela não vai dormir em casa. E mandou dizer para você dormir aqui.


– Sério? Isso é ótimo.” Então ele parou e pensou, como eu temia que o fizesse.


“– Tenho um compromisso. Não acredito.


– Tudo bem, você sabe que eu amo ficar sozinha.”


Sorri e tentei desconversar. Ele sabia que eu não poderia ficar sozinha. Ninguém me deixa completamente sozinha desde que... bem, desde que meu pai faleceu. Eu tinha apenas sete anos e não sabia o que pensar. Ele sempre foi meu herói e morreu de uma causa tão repentina. Não gostava de lembrar. Pietro sabia de todas minhas confusões mentais, ele sabia de tudo. Ele reparava em mim, ele se importava de verdade com o que eu sentia e não me perguntava as coisas apenas por curiosidade. Ele me amava. E eu... Eu o amava com todas as minhas forças possíveis, eu amava o jeito que ele arrumava o cabelo quando ficava sem graça. Eu amava o jeitinho dele de falar todo enrolado. Eu amava aquele estilo meio rock’n roll. Eu me sentia tão cheia de mim e me sentia nele. O meu coração estava com ele e ele apenas não sabia disso.